{"id":1,"date":"2019-05-19T11:54:30","date_gmt":"2019-05-19T10:54:30","guid":{"rendered":"https:\/\/pigeonposted.com\/?p=1"},"modified":"2023-04-27T15:06:15","modified_gmt":"2023-04-27T14:06:15","slug":"uma-revolucao-na-comunicacao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pigeonposted.com\/pt\/a-communication-revolution\/","title":{"rendered":"Uma revolu\u00e7\u00e3o na comunica\u00e7\u00e3o"},"content":{"rendered":"<p class=\"wp-block-paragraph\">Dizem <em>o amor faz o mundo girar<\/em>. E \u00e9 verdade. Quando amamos e nos sentimos amados, tudo parece mais brilhante e melhor. Mas dizer que \u00e9 <em>apenas<\/em> O amor de que todos n\u00f3s precisamos n\u00e3o \u00e9 o quadro completo - h\u00e1 algo mais que \u00e9 essencial para uma vida feliz e realizada. <\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u00c9 uma necessidade que est\u00e1 profundamente enraizada na psique humana. As crian\u00e7as anseiam por ela e os adultos precisam dela - sem <g class=\"gr_ gr_4 gr-alert gr_gramm gr_inline_cards gr_run_anim Punctuation only-ins replaceWithoutSep\" id=\"4\" data-gr-id=\"4\">ele<\/g> estamos todos um pouco mais pobres.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Estou a falar de liga\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Pergunte a qualquer pai ou m\u00e3e e eles dir-lhe-\u00e3o que, a partir do momento em que nascem, as crian\u00e7as tentam estabelecer contacto. Primeiro com gritos e gorgolejos, e depois com palavras e frases. Querem conversar, contar as min\u00facias do seu dia; contar hist\u00f3rias, fazer perguntas e discutir ideias. <\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u00c9 atrav\u00e9s da liga\u00e7\u00e3o que aprendemos sobre o nosso lugar no mundo. Sentimo-nos amados. Descobrimos em que \u00e9 que somos bons. Fazemos amigos. Mark Zuckerberg tornou-se uma das pessoas mais ricas do mundo ao construir uma plataforma que explora a nossa necessidade de nos ligarmos. <\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><g class=\"gr_ gr_20 gr-alert gr_gramm gr_inline_cards gr_run_anim Style multiReplace\" id=\"20\" data-gr-id=\"20\">Mas em<\/g> No nosso mundo multim\u00e9dia, cheio de aplica\u00e7\u00f5es e dispositivos, penso que h\u00e1 um problema. Muitas das formas de nos relacionarmos uns com os outros n\u00e3o s\u00e3o t\u00e3o satisfat\u00f3rias como poderiam ser. E penso que h\u00e1 tr\u00eas raz\u00f5es principais para isso: <\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">S<em>mijado<\/em>, <em>espa\u00e7o<\/em> <g class=\"gr_ gr_6 gr-alert gr_gramm gr_inline_cards gr_run_anim Punctuation only-ins replaceWithoutSep\" id=\"6\" data-gr-id=\"6\">e<\/g> <em>tamanho<\/em>. <\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\">Velocidade<\/h4>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A velocidade est\u00e1 incorporada nas nossas plataformas de redes sociais. Foram concebidas para nos obrigar a reagir rapidamente. Por vezes, de forma instant\u00e2nea. Disparamos a partir da anca, irritamo-nos e gritamos de volta. Dizemos coisas que nunca dir\u00edamos na vida real porque n\u00e3o nos damos tempo para pensar, para respirar.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Escrever \u00e0 m\u00e3o (por outro lado) \u00e9 um pouco como caminhar - \u00e9 uma atividade a um ritmo <em>humano<\/em> velocidade. D\u00e1-nos espa\u00e7o para pensar, para formar as palavras. Como \u00e9 lento, acabamos por pensar<em> enquanto<\/em>e escreve. <\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Escrever a uma velocidade humana d\u00e1-lhe tempo para formar os seus pensamentos. Para pensar sobre o que <em>realmente<\/em> queremos dizer. Como resultado, somos quase de certeza mais honestos, mais aut\u00eanticos.<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\">Espa\u00e7o<\/h4>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Sempre achei que ler um livro \u00e9 fundamentalmente mais agrad\u00e1vel e mais envolvente do que ler as mesmas palavras num ecr\u00e3. Mas nunca fui capaz de definir exatamente o que \u00e9 <em>porqu\u00ea<\/em>. Isso foi at\u00e9 ter lido um artigo fant\u00e1stico de um tipo chamado Graig Mod em <a rel=\"noreferrer noopener\" aria-label=\"Revista Offscreen (abre num novo separador)\" href=\"https:\/\/www.offscreenmag.com\/\" target=\"_blank\">Revista Offscreen<\/a> (pode ler o artigo <a rel=\"noreferrer noopener\" aria-label=\"aqui (abre num novo separador)\" href=\"https:\/\/craigmod.com\/essays\/offscreen_interview\/\" target=\"_blank\">aqui<\/a>) que acho que conseguiu acertar em cheio. Ele acha que tem tudo a ver com o facto de os livros terem margens. <\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><em>Arestas?<\/em> (O qu\u00ea <em>\u00e9<\/em> este tipo est\u00e1 a falar?!)<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Sim, arestas. <\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O que ele quer dizer \u00e9 que quando se chega ao fim de uma p\u00e1gina, ou ao fim de um livro, ele p\u00e1ra. N\u00e3o h\u00e1 mais nada. Nada que chame imediatamente a sua aten\u00e7\u00e3o. N\u00e3o h\u00e1 \"pr\u00f3ximo artigo\". N\u00e3o h\u00e1 e-mails para responder. N\u00e3o h\u00e1 posts no FB para comentar. Simplesmente p\u00e1ra. <\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">E, estranhamente, esta \u00e9 uma das coisas que d\u00e1 a um livro a sua imensa for\u00e7a. \u00c9 o que torna os livros t\u00e3o agrad\u00e1veis. <\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Um livro \u00e9 uma coisa por si s\u00f3. Tem o seu pr\u00f3prio espa\u00e7o. Sozinho. L\u00ea-se, absorve-se e (se for um livro muito bom) torna-se uma parte de n\u00f3s. Mas para o fazer, tem de ter espa\u00e7o para fazer a sua magia. Se leres uma p\u00e1gina e depois consultares uma publica\u00e7\u00e3o no FB, e depois outra p\u00e1gina e jogares um jogo, n\u00e3o funciona t\u00e3o bem. <\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">E o mesmo se passa, penso eu, com a carta. No mundo digital ultra-conectado e sempre ligado de hoje, uma carta \u00e9 um pequeno o\u00e1sis de calma num mar de ru\u00eddo. Para ser lida, apreciada, absorvida. E reler. (Quem <em>re<\/em>-l\u00ea e-mails?)<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Um pouco de espa\u00e7o, s\u00f3 para ti, escrito s\u00f3 para ti, por um amigo. <\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\">Tamanho<\/h4>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Comunicar atualmente (nas plataformas que todos utilizamos) \u00e9 sobretudo <em>difus\u00e3o<\/em>. Publica\u00e7\u00f5es no FB para todos os seus amigos. Mensagens do WhatsApp para o grupo. Mensagens no Twitter para o mundo. Todos nos torn\u00e1mos pequenos <em>emissoras<\/em>. Contar <em>todos<\/em> o que andamos a fazer, o que pensamos, o que desejamos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">E, de alguma forma, ao passarmos da liga\u00e7\u00e3o individual para os meios de comunica\u00e7\u00e3o social, perdemos um pouco de n\u00f3s pr\u00f3prios. O que poderia ser uma conversa interessante entre amigos corre o risco de se tornar uma \"partilha excessiva\", quando contamos sempre<g class=\"gr_ gr_5 gr-alert gr_spell gr_inline_cards gr_run_anim ContextualSpelling ins-del multiReplace gr-progress\" id=\"5\" data-gr-id=\"5\">y<\/g>um no nosso grupo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u00c9 por isso que acreditamos na escrita de cartas. Uma carta escrita \u00e0 m\u00e3o \u00e9 um cl\u00e1ssico <em>fundi\u00e7\u00e3o estreita<\/em>. Ligarmo-nos a uma pessoa especial. E \u00e9 por isso que as cartas escritas \u00e0 m\u00e3o est\u00e3o a voltar. <\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Na outra noite, estava a ler uma hist\u00f3ria da Segunda Guerra Mundial \u00e0 minha filha e, em <g class=\"gr_ gr_25 gr-alert gr_gramm gr_inline_cards gr_run_anim Punctuation only-ins replaceWithoutSep\" id=\"25\" data-gr-id=\"25\">ele<\/g> Havia uma carta que um rapaz escreveu ao seu amigo na parte da frente. N\u00e3o consistia em nada para al\u00e9m do que ele tinha feito nesse dia. Nada de palavras bonitas. Nada de mem\u00f3rias partilhadas ou emo\u00e7\u00f5es profundas. Apenas que tinha ido ver a irm\u00e3 do seu amigo e o cavalo do seu amigo, e que ambos estavam bem. E apercebi-me de que, se tivesse lido isso numa publica\u00e7\u00e3o no FB, pareceria muito aborrecido. Mas naquela carta, dirigida ao seu amigo, era exatamente o que ele precisava de ouvir. Era conforto e recorda\u00e7\u00f5es para um jovem rapaz na guerra. <\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Essa \u00e9 a diferen\u00e7a entre narrowcasting e broadcasting. A diferen\u00e7a entre um post digital para muitos e uma carta escrita \u00e0 m\u00e3o para um. O modo de difus\u00e3o \u00e9 um instrumento contundente, mas a difus\u00e3o restrita funciona porque est\u00e1 a comunicar com apenas uma pessoa, sobre assuntos que s\u00e3o do interesse de ambos. Um relato de um incidente engra\u00e7ado envolvendo um hamster perdido ser\u00e1 muito divertido para um amigo que conhe\u00e7a o seu historial de hamsters perdidos, mas provavelmente n\u00e3o ter\u00e1 qualquer piada para algu\u00e9m que n\u00e3o o conhe\u00e7a bem.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Portanto. Vai devagar. Arranja espa\u00e7o. E estabele\u00e7a contactos individuais. Reencontre as alegrias da comunica\u00e7\u00e3o pessoal - a alegria da carta escrita \u00e0 m\u00e3o. E saborear os momentos que elas proporcionam.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">John Morse-Brown <br>maio de 2019<\/p>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>As formas digitais de comunica\u00e7\u00e3o n\u00e3o est\u00e3o a funcionar. 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